O comportamento das commodities (produtos agrícolas e minerais comercializados no mercado internacional), em especial petróleo e minério, responderá pelo aumento de 12,8% das exportações neste ano, de acordo com a revisão da balança comercial para 2017, divulgada ontem pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

Os dois produtos têm grande destaque nas exportações, segundo o presidente da AEB, José Augusto de Castro, tendo em vista o aumento significativo registrado tanto em quantidade como em preço médio para o petróleo, e em termos de preço para minérios. Castro observou que também a soja terá participação no crescimento das exportações, devido ao aumento da quantidade embarcada. "Esses são os três fatores básicos que ajudam a explicar esse aumento de 12,8% nas exportações", disse.

Os dados revisados e projetados pela AEB indicam que as exportações alcançarão US$ 209,017 bilhões, enquanto as importações somarão US$ 145,795 bilhões, com expansão de 6%. O superávit comercial atingirá o recorde de US$ 63,222 bilhões, com alta de 32,6%.

Castro esclareceu que esse superávit recorde decorrerá não especificamente deste ano, mas de anos anteriores, em que o País teve uma base de exportação e importação muito pequena. Embora reconheça que o crescimento das exportações acima das importações vá ajudar positivamente no Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país), Castro disse que, "isoladamente, (superávit) é um número muito bom, mas que não gera atividade econômica. Não tem nenhum impacto na economia brasileira, porque o que gera atividade econômica é corrente de comércio, e não o superávit, que é feito de alguma coisa. Não é causa".

O superávit histórico da balança comercial, segundo a AEB, colocará o Brasil entre as cinco nações de maiores superávits do mundo, atrás de China, Alemanha, Coreia do Sul e Rússia.

O crescimento de 12,8% das exportações, superior ao incremento de 2% previsto para o comércio global em 2017, levará o Brasil a ganhar uma posição no ranking mundial de países exportadores, subindo da 25ª para a 24ª classificação. Castro lembrou que, há três anos, o Brasil ocupava o 21º posto no ranking e está apenas "recuperando um degrau perdido no passado".

O presidente da AEB disse que o Brasil tem muito a crescer. No que se refere às exportações de produtos básicos, que não dependem do país, mas do mercado externo, ele disse que "o Brasil está muito bem". Ressaltou, entretanto, que, no que depende do país, que são as exportações de manufaturados, "o Brasil está mal".

Segundo ele, a projeção de aumento de 6,8% para os produtos manufaturados brasileiros neste ano se deve, quase exclusivamente, à Argentina. Castro disse ainda que as exportações de manufaturados do Brasil de 2015, 2016 e parte deste ano serão menores do que foram em 2006. "Estamos 10 anos parados no tempo."

De acordo com relatório da Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil está fora das cadeias globais de valor, concentradas nos Estados Unidos e na União Europeia, porque as exportações brasileiras de manufaturados são todas direcionadas para a América do Sul. "O fato de o Brasil não integrar as cadeias globais de valor faz com que nós vivamos um isolamento comercial", disse.

Para Castro, a tendência é piorar, porque, em 2018, haverá a reoneração tributária e previdenciária, que entrará em vigor em janeiro; e isso, segundo ele, vai aumentar os custos de produção entre 4% e 6%, retirando a competitividade do produto brasileiro. Nos últimos cinco anos, as exportações sofreram quedas consecutivas e acumuladas em 27,7%, informou a AEB.

Fonte: Portos e Navios